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Lecythis pisonis Camb.

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HIGHER TAXON: Lecythidaceae

GENUS: Lecythis L.

Lecythis pisonis Camb. [4]
  
PLACES: -
  Brasil
    Nordeste [4], Alagoas [4], Bahia [4], Ceara [4]
    Paraiba [4], Pernambuco [4], Rio Grande Do Norte [4]
    Sergipe [4]; Sudeste [4], Espirito Santo [4]
    Rio De Janeiro [4]
  
HABITATS: -
  
DESCRIPTORS:
  Altura: 20-30m [4]
  Ciclo de vida: decidua [4]
  Cor da flor: rosa [4], roxa [4]
  Desenvolvimento das mudas no campo: lento [4]
  Desenvolvimento de mudas em cultivo: lento [4]
  Diametro do tronco: 45-60cm [4], 60-75cm [4], 75-90cm [4]
  Folha - comprimento: 0-10cm [4], 10-20cm [4]
  Folha - largura: 3-6cm [4]
  Forma de vida I: heliofita [4], esciofita [4]
  Forma de vida II: higrofita [4]
  Germinacao das sementes: 40-50 dias [4], 50-60 dias [4], 60-70 dias [4]
  Habito: Arvore [4]
  Medicinal - parte da planta: semente [11]
  Mes de floracao: setembro [4], outubro [4]
  Mes de frutificacao: agosto [4], setembro [4]
  Zona geografica: mata [4]

LITERATURE POINTERS: -

  
USES:
  Fruto - adorno [4]; Fruto - recipiente [4]; Madeira-Assoalho [4]; Madeira-caibro/ripas [4]; Madeira-Const.Civil [4]; Madeira-Esteio/Ripas [4]; Madeira-Ferramentas [4]; Madeira-Obj. Leves [4]; Medicinal [11]; Semente - comestivel [4]

  
VERNACULAR NAME:
  Cacamba-do-mato [4]; Castanha-sapucaia [4]; Cumbuca-de-macaco [4]; Marmita-de-macaco [4]; Sapucaia [4]; Sapucaia-vermelha [4]

  
NOTES: -
  
FREE TEXT: -
  
   Lecythis pisonis Camb.
  
  Pelo nome de sapucaia e conhecido, no Brasil, um grande numero de
  arvores que pertencem a familia botanica das Lecitidaceas, a mesma a
  qual pertence a imponente castanheira-do-brasil ou castanheira-do-para.
  
  Em sua maioria, as sapucaias caracterizam-se pela peculiaridade de seus
  frutos. Na forma de urnas, de casca dura e de aparencia lenhosa, estes
  encerram uma boa quantidade de amendoas comestiveis e muito apreciadas,
  que se espalham pelo mato quando, um a um, os frutos amadurecem e,
  espontaneamente, seus operculos se desprendem.
  
  As sapucaias e seus frutos, nativos da terra, ja eram bastante
  conhecidos e aproveitados pelas populacoes que habitavam o Brasil na
  epoca da chegada dos primeiros europeus, no seculo XVI. Estes, por sua
  vez, sentiram-se atraidos pelas qualidades da planta - util, exotica e
  ornamental - e impressionaram-se com suas peculiaridades, tendo
  fornecido interessantes descricoes e detalhamentos de sua conformacao.
  
  De acordo com Eurico Teixeira, o viajante Pero de Magalhaes Gandavo
  descreveu os frutos das sapucaias como grandes cocos muito duros,
  repletos de castanhas doces e extremamente saborosas. Para ele, esses
  frutos nao parecem criados pela natureza, e sim por algum artificio de
  industria humana" uma vez que suas bocas, voltadas para baixo e cobertas
  por "capadoiras" que caem sozinhas, permitem que tambem as "castanhas",
  tranquilamente, possam cair e se dissipar.
  
  As amendoas aromaticas e oleaginosas da sapucaia podem ser consumidas
  cruas, cozidas ou assadas, constituindo-se em excelente alimento. Podem
  substituir, em igualdade de condicoes, as nozes, amendoas ou castanhas
  comuns europeias, prestando-se como ingrediente para doces, confeitos e
  pratos salgados.
  
  A sapucaia e arvore caracteristica da floresta pluvial atlantica,
  ocorrendo desde o Ceara ate o Rio de Janeiro, particularmente freqente
  no sul da Bahia e no norte do Espirito Santo. Pode ser tambem
  encontrada, em estado nativo, na regiao amazonica. Em alguns casos, na
  alta floresta, a arvore apresenta a magnitude da natureza que a gerou,
  alcancando mais de 30 metros de altura.
  
  Quando chega a epoca da floracao, verdadeira festa para as abelhas, a
  sapucaia se transforma: todo o verde da arvore fica encoberto por uma
  capa cor-de-rosa, um belo espetaculo propiciado pela conjuncao das
  flores arroxeadas e cheias de aroma perfumado, que tomam a copa da
  arvore com as folhas novas, que tambem nascem coloridas de rosa ou
  lilas.
  
  Aos poucos, as folhas vao ficando esverdeadas e os frutos vao tomando a
  sua forma caracteristica. Vazios, os receptaculos das amendoas sao
  transformados pelo homem em objetos de uso e de ornamento: cumbucas,
  cacambas, vasos, potes, pratos, marmitas e o que mais for preciso.
  
  As amendoas da sapucaia sao muito apreciadas pelos animais silvestres e,
  especialmente, aproveitadas pelos macacos, capazes como sao de alcancar
  as amendoas ainda dentro das cumbucas quando elas comecam a se abrir la
  no alto da arvore. Alias, um fato curioso envolve esses animais e a
  fruta, que, por isso, e tambem conhecida como cumbuca-de-macaco ou
  marmita-de-macaco.
  
  Segundo contam Pio Correa e varios outros estudiosos, o macaquinho novo,
  inexperiente, quando se depara com uma sapucaia aberta e cheia de
  gostosas amendoas vai com muita sede ao pote, enfiando a mao na cumbuca
  para pegar um punhado delas, de uma so vez. Assim, quando tenta retirar
  a mao la de dentro, ele nao consegue ou se machuca, pois sua mao cheia
  de amendoas nao passa pela estreita abertura da sapucaia. O macaco velho
  nao age assim. Com a sabedoria de quem aprendeu se machucando algumas
  vezes quando ainda era jovem, ele usa as pontas dos dedos para retirar
  as amendoas uma a uma, enquanto vai comendo.
  
  Ao que parece, foi a predilecao dos macacos pelos frutos da sapucaia que
  deu origem ao proverbio: "Macaco velho nao poe a mao em cumbuca!"
  
  "Nao vou cantar em hinos o valor da sapucaia, mas... seu fruto e todo
  aproveitado: a cacamba e
  marmita, pote, vasilha, enfim; m; a polpa e comivel, medicinal,
  altamente alimenticia; as sementes ou
  castanhas-de-sapucaia tem bom paladar, dao magnifico oleo, sao alimento
  substancial; a folha em cinzas emprega-se como bom adubo; as raizes tem
  aplicacao terapeutica."
  
  FRUTAS DO BRASIL
  Eurico Teixeira
  
  Fonte:
  SILVA, Silvestre (fotos); TASSARA, Helena (texto). Frutas no Brasil.
  Sao Paulo : Empresa das Artes, 1996.


DATA SOURCES:

4.

  Lorenzi,H.,1992
    Arvores Brasileiras
    Editora Plantarum Ltda. 1 ed.

11.

  Matos, F.J.A.,1999
    UFC Edicoes
    Plantas da Medicina Popular do Nordeste
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