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Myrciaria trunciflora Berg

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HIGHER TAXON: Myrtaceae

GENUS: Myrciaria Berg

Myrciaria trunciflora Berg [4]
  
PLACES: -
  Brasil
    Centro-Oeste (N) [4], Mato Grosso Do Sul [4]
    Sudeste (N) [4], Minas Gerais [4], Rio De Janeiro [4]
    Sao Paulo [4]; Sul (N) [4], Parana [4]
    Rio Grande Do Sul [4], Santa Catarina [4]
  
HABITATS:
  Brasil
    floresta pluvial Atlantica [4], mata de altitude [4]
  
DESCRIPTORS:
  Altura: 10-20m [4]
  Ciclo de vida: perenifolia [4]
  Cor da flor: branca [4]
  Desenvolvimento das mudas no campo: lento [4]
  Desenvolvimento de mudas em cultivo: lento [4]
  Diametro do tronco: 30-45cm [4]
  Folha - comprimento: 0-10cm [4]
  Folha - largura: 0-3cm [4]
  Forma de vida I: heliofita [4], mesofila [4]
  Forma de vida II: higrofita [4]
  Germinacao das sementes: 30-40 dias [4]
  Habito: Arvore [4]
  Mes de floracao: julho [4], agosto [4], novembro [4], dezembro [4]
  Mes de frutificacao: janeiro [4], fevereiro [4], agosto [4], setembro [4]

LITERATURE POINTERS:
  Description [4], Illustration [4]

  
USES:
  Fruto-Bebida [4]; Fruto-Comestivel [4]; Madeira-Assoalho [4]; Madeira-Const.Civil [4]; Madeira-Lenha [4]; Madeira-Moveis [4]; Paisagismo [4]

  
VERNACULAR NAME:
  Jabuticabeira [4]

  
NOTES: -
  
FREE TEXT: -
  
   Myrciaria trunciflora Berg
  
  Quem nunca provou um "beijo de jabuticaba" roubado do pe carregadinho,
  que se apresse, pois a safra, mesmo abundante, dura pouco. Homens de
  todas as idades, animais, passaros e insetos de todo tipo disputam seus
  frutos com voracidade.
  
  Arvore de grande longevidade, a magnifica jabuticabeira costuma demorar
  para dar os primeiros frutos, mas quando comeca nao para mais, e quanto
  mais velha, melhor e mais produtiva.
  
  Protagonizando verdadeiros espetaculos de beleza e fartura, na floracao,
  a arvore se cobre de pequenas flores brancas e muito perfumadas. Depois,
  na frutificacao, o exagero de frutos costuma espantar os desavisados.
  
  Na jabuticabeira, sao milhares e milhares de flores e de frutas que
  nascem e crescem grudadinhas por toda a superficie dos galhos e, ate
  mesmo, do tronco ate o res do chao. Nessas ocasioes, as jabuticabeiras
  estao sempre repletas de frutos em todas as fases de maturacao,
  colorindo, em geral, toda a arvore por tonalidades que variam entre o
  verde e o roxo quase negro.
  
  Algumas variedades de jabuticabeiras apresentam frutos desenhados por
  finas estrias de cor carmim; outras, produzem jabuticabas de tom
  olivaceo e listras escuras.
  
  Os frutos sao redondos como bolinhas de gude e de seu tamanho, as vezes
  um pouco maiores: dependendo da variedade, algumas jabuticabas
  aproximam-se da forma e do diametro de uma grande ameixa. Em todos os
  casos, porem, a casca resistente e escura rompe-se facilmente com uma
  leve mordida, deixando escapar a polpa esbranquicada e sumarenta. Na
  maioria das vezes, de sabor agradavelmente doce, essa polpa envolve no
  maximo quatro pequenas sementes em cada fruto.
  
  Existem diversas qualidades de jabuticabeiras e de jabuticabas, uma
  verdadeira colecao que alcanca de 12 a 15 variedades diferentes.
  Entre elas, cerca da metade e bem produtiva; a outra metade, nem tanto.
  A Sabara, entre todas a mais cultivada e famosa jabuticabeira, tem
  tambem o fruto mais apreciado e mais doce. A Paulista, arvore de grande
  porte se comparada as outras, tem tudo grande: os frutos roxos e a
  producao. A Rajada oferece frutos grandes de cor esverdeada, e muito
  doces. A Ponhema e a melhor para a produto de geleias e doces.
  
  Na verdade, esse nao e um privilegio da jabuticabeira Ponhema: o suco de
  qualquer uma delas obtido por maceracao, levado ao fogo com pouco
  acucar, com ou sem as cascas, resulta em uma esplendida geleia, que pode
  ser servida como sobremesa ou doce e, ate mesmo, como acompanhamento
  para pratos salgados como aves e carnes bovinas. A partir da fermentacao
  dos frutos com casca, costuma-se tambem produzir um licor caseiro
  bastante apreciado no interior do pais. Em Goias, aproveita-se ainda a
  casca da jabuticaba semi-amadurecida, ainda um pouco esverdeada, para a
  producao de compota.
  
  Todas as jabuticabeiras sao arvores nativas do Brasil e, ate hoje, podem
  ser encontradas espontaneas na maior parte do pais. Sao, no entanto,
  mais frequentes em Minas Gerais, no Espirito Santo, no Rio de Janeiro,
  em Sao Paulo e no Parana, encontrando-se, tambem, em paragens
  longinquas. Tempos atras, provavelmente, as jabuticabeiras vegetavam nas
  areas que margeavam os rios e c¢rregos da regiao Sudeste, dando formacao
  a extensas capoeiras e matas repletas pela arvore, tendo se expandido
  tanto naturalmente como atraves do cultivo.
  
  Desde sempre, quando o homem aprendeu a cultiva-la e a saborear seus
  frutos, a jabuticabeira e arvore obrigat¢ria em qualquer pomar ou
  quintal. Nas fazendas do sul de Minas Gerais e de Sao Paulo foi bastante
  frequente - e seria bom que continuasse a se-lo - o costume de se
  manterem extensos pomares formados, exclusivamente, por diferentes
  variedades de jabuticabeiras: verdadeiros jabuticabuis que, sem qualquer
  pretensao comercial, proviam de seus deliciosos frutos as afortunadas
  familias e a comunidade de seus agregados.
  
  Apesar de todas as suas qualidades, do sabor tao apreciado e da
  abundancia de frutos que oferece a cada floracao, a jabuticabeira
  continua sendo, ate hoje, uma fruteira quase exclusiva de pomares
  caseiros ou de pequenas plantacoes. Ou seja, nao se encontram pomares
  verdadeiramente comerciais de jabuticabas.
  
  Os dois principais fatores que restringem a expansao de sua cultura sao,
  em primeiro lugar, os custos e as dificuldades de uma colheita num pomar
  com muitas arvores; e, em segundo, a precariedade da conservacao de seus
  frutos, uma vez que o fruto deve ser colhido pronto para o consumo e que
  a sua fermentacao inicia-se praticamente no mesmo dia da colheita.
  
  E depois, quem ja foi crianca, como o poeta, e ja enlouqueceu ao
  descobrir uma jabuticabeira repleta de frutos, sabe que "jabuticaba
  chupa-se no pe"!
  
  Fonte:
  SILVA, Silvestre (fotos); TASSARA, Helena (texto). Frutas no Brasil.
  Sao Paulo : Empresa das Artes, 1996.


DATA SOURCES:

4.

  Lorenzi,H.,1992
    Arvores Brasileiras
    Editora Plantarum Ltda. 1 ed.
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