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Anacardium occidentale L.

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HIGHER TAXON: Anacardiaceae

GENUS: Anacardium L.

Anacardium occidentale L. [4]
  
PLACES: -
  Brasil
    Nordeste (N) [4], Maranhao [4], Piaui [4]
  
HABITATS:
  Brasil
    campo [4], restinga [4]
  
DESCRIPTORS:
  Altura: 0-10m [4]
  Ciclo de vida: decidua [4]
  Cor da flor: branca [4]
  Desenvolvimento das mudas no campo: lento [4]
  Diametro do tronco: 15-30cm [4], 30-45cm [4]
  Folha - comprimento: 0-10cm [4], 10-20cm [4]
  Folha - largura: >6cm [4]
  Forma de vida I: heliofita [4]
  Germinacao das sementes: 10-20 dias [4]
  Habito: Arvore [4]
  Medicinal - parte da planta: casca [11]
  Mes de floracao: junho [4], julho [4], agosto [4], setembro [4], outubro [4],
   novembro [4]
  Mes de frutificacao: janeiro [4], setembro [4], outubro [4], novembro [4],
   dezembro [4]

LITERATURE POINTERS:
  Description [4], Illustration [4]

  
USES:
  Fruto-Bebida [4]; Fruto-Comestivel [4]; Fruto-Oleo [4]; Madeira-Const.Civil [4]; Madeira-Embalagem [4]; Madeira-Ferramentas [4]; Medicinal [11]; Melifera [6]

  
VERNACULAR NAME:
  Caju-da-praia [4]; Cajueiro [4]

  
NOTES: -
  
FREE TEXT: -
  
   Anacardium occidentale L.
  
  A Amazonia parece ter sido o utero quente de onde diferentes especies do
  genero Anacardium se irradiaram para o resto do mundo. E o cajueiro, seu
  representante mais conhecido, arvore rustica, espontanea e nativa do
  Brasil, mais precisamente da zona arenosa litoranea de campos e dunas,
  que vai do nordeste ate o baixo Amazonas, esta hoje disseminada por
  todas as regioes tropicais do globo.
  
  Os indigenas de fala tupi, habitantes autoctones do nordeste do Brasil,
  ja conheciam muito bem o caju e faziam dele um de seus mais completos e
  importantes alimentos. Deve-se, inclusive, aos indigenas o seu nome: a
  palavra acaiu, de origem tupi, quer dizer "noz que se produz".
  
  Ficaram conhecidas como as "guerras do caju" as lutas pelo dominio
  temporario dos cajuais, travadas entre as tribos indigenas que desciam
  do interior na epoca da frutificacao do caju e aquelas que viviam no
  litoral.
  
  Supoe-se que foi assim, atraves das castanhas levadas pelas maos dos
  indigenas que iam e vinham pelas terras do Brasil, que a fruta se
  espalhou por vastas regioes do interior seco e arido nordestino. Pouco
  exigente quanto a solos, com o tempo, o cajueiro se adaptou …s terras
  para onde foi levado. Floresceu e frutificou ano apos ano, formando
  extensos cajuais.
  
  Quando, no seculo das grandes navegacoes, aqui chegaram os primeiros
  europeus, encontraram uma terra promissora de gentes e frutos exoticos,
  que se confundia com a visao do paraiso terrestre, onde o cajueiro era a
  verdadeira arvore proibida. Datam da metade do seculo XVI as primeiras e
  maravilhadas descricoes da arvore do caju, dos cajuais sem fim do
  litoral americano e de seus frutos e usos, feitas pelos viajantes
  europeus. Foi a partir de entao que o caju iniciou sua viagem pelo
  mundo: embarcado nas naus portuguesas, aportou em Mocambique, Angola,
  Quenia e Madagascar, na Africa, e em Goa, na India.
  
  Ali, os cajueiros comecaram a crescer com profusao em terrenos secos e
  pedregosos onde antes nao havia nada, tendo sido incorporados
  completamente na vida e na economia locais. E tem sido muito bem
  aproveitados: a India e, hoje em dia, o principal produtor e exportador
  mundial da castanha-de-caju e do oleo da castanha, com altos indices de
  rentabilidade.
  
  Enquanto isso, em sua terra de origem, as arvores de caiu foram sendo
  substituidas, primeiro, por plantacoes de cana-de-acucar e, muito tempo
  depois, por casas e edificios luxuosos … beira-mar. Por muitos anos as
  possibilidades de exploracao economica rentavel do caju foram
  desconsideradas nas terras brasileiras.
  
  Ainda assim, o Brasil e um importante produtor e exportador da
  castanha-de-caju, destacando-se os Estados do Ceara, Piaui e Rio Grande
  do Norte. De maneira geral, a cajucultura e, hoje, uma atividade de
  grande relevancia socioeconomica para o nordeste do pais.
  
  Alias, para o pesquisador Mauro Motta, nunca houve arvore e fruto de
  tamanha importancia e alcance na vida social e na economia regional de
  uma populacao. O caju esta presente na literatura, na poesia, nos
  ditados populares, na fala, nos jogos infantis, nas crendices, nos
  costumes, no folclore, na medicina e no mobiliario e, e claro, na dieta
  alimentar, na culinaria e na docaria brasileira, especialmente,
  nordestina.
  
  Para completar, e uma das frutas mais intrigantes existentes: aquilo que
  comumente se acredita ser a fruta, denominada popularmente de "pera",
  "maca" ou "banana" - aquela parte carnosa, cuja forma pode ser alongada ou
  arredondada; cuja cor pode ser amarela, vermelha ou intermediaria; que
  contem o sumo aromatico e adstringente, por vezes azedo e, outras,
  dulcissimo - e apenas a haste, o pedunculo inchado que sustenta o
  verdadeiro fruto da planta, que e a castanha. Com a forma de um pequeno
  "rim" animal, a castanha e o principal produto do complexo economico do
  caju.
  
  Quando madura, a castanha do caju apresenta uma casca bastante dura e
  cheia de um oleo viscoso, caustico e inflamavel que abriga a amendoa. A
  partir da 2 Guerra Mundial, esse oleo se transformou em um produto
  estrategico para a industria, por suas qualidades isolantes e
  protetoras. Atualmente existem mais de 200 patentes industriais que o
  utilizam como componente.
  
  Os indigenas, no entanto, sabiam desde sempre que a melhor forma de
  aproveitar como alimento essa amendoa abrigada na castanha do caju era
  torrando-a ao fogo. Assim, sua casca e o forte oleo que desprende sao
  consumidos, restando a apreciadissima e internacional cashew nut. A
  castanha-de-caju, como e conhecida pelos brasileiros, transformou-se em
  especiaria cara e de luxo muito utilizada salgada, como tira-gosto, e
  natural, na producao de doces e confeitos.
  
  Alem disso, da amendoa da castanha-de-caju - rica em proteinas,
  calorias, lipidios, carboidratos, fosforo e ferro - e extraido um oleo
  comestivel que pode ser utilizado em substituicao ao azeite de oliva.
  
  No Brasil, os usos culinarios do caju e de sua castanha se multiplicam.
  Quando verde, por exemplo, a castanha volumosa e tenra, mais conhecida
  como maturi, e ingrediente especialissimo da culinaria nordestina: a
  famosa frigideira de maturi com camaroes secos, por exemplo, e um prato
  baiano, raro e sensual, cuja receita ficou imortalizada na obra "Tieta
  do Agreste" do escritor Jorge Amado.
  
  Da amendoa torrada e costume fazer-se uma farinha muito especial que e
  misturada com farinha de mandioca, adocada e vendida em pequenos cones
  de papel: guloseima de criancas. Essa mistura e, tambem, muito apreciada
  para ser degustada apos a adicao de suco de caju ou agua, a gosto. E a
  tumbanca.
  
  A parte suculenta e refrescante, o pseudofruto do cajueiro - que contem
  vitamina C em quantidade para perder apenas da campea acerola - tem
  incontaveis usos e, embora alcance pouco valor no mercado externo, e
  muito apreciada no Brasil.
  
  O caju pode ser consumido como fruta fresca, sob os pes carregados ou
  adquirido de ambulantes nas ruas e nas praias. Especialmente, e comum
  servir de acompanhamento para aqueles que nao se furtam de beber uma boa
  aguardente de cana, sendo consumido aos pedacos ou por inteiro, entre um
  gole e outro.
  
  Para beber, como e mais consumido, o caju serve de materia-prima para
  inumeros sucos, refrescos e cajuadas, quando ao suco adocado,
  adiciona-se agua ou leite. A cajuina, bastante apreciada e consumida
  gelada, e o suco filtrado, engarrafado e cozido em banho-maria. Esse
  suco, depois de filtrado e cozido, quando misturado com alcool
  transforma-se na jeropiga, um vinho de caju que pode ser mais ou menos
  encorpado. O mocororo e o suco fermentado, cru ou cozido, um vinho mais
  fino.
  
  A docaria nordestina e prodiga em receitas que levam a fruta, uma boa
  maneira de conserva-la para ostempos de entressafra. Assim, o caju
  costuma ser transformado em doces de todo tipo, na forma de sorvetes,
  gelados, compotas'passas ou ameixas de caju, em calda ou fruta
  cristalizada.
  
  As arvores que dao o caju, essa saborosa, multipla e generosa truta de
  muito frutos, em suas variadas especies, podem durar ate mais de 50 anos
  e se apresentar com caracteristicas bastante diversas.
  
  Sao desde arvores com porte majestoso, amazonico, atingindo ate a altura
  de 40 metros e apresentando os pseudofrutos carnosos pouco desenvolvidos
  (Anacardium giganteum), ate formas arboreas de porte medio, nao
  ultrapassando os 3 ou 4 metros de altura (Anacardiam othonianum) ou
  herbaceo, com ate 80 cm (Anacardium humile). Nesses ultimos casos, a
  castanha apresenta-se com as mesmas caracteristicas e usos do cajueiro
  comum, sendo apenas o seu pseudofruto uma miniatura perfeita do outro e
  um pouco mais acido. Tambem conhecidos como cajui, cajuzinho ou
  caju-de-arvore-do-cerrado, tais frutos ocorrem naturalmente no Cerrado
  do Brasil.
  
  Fonte:
  SILVA, Silvestre (fotos); TASSARA, Helena (texto). Frutas no Brasil.
  Sao Paulo : Empresa das Artes, 1996.


DATA SOURCES:

4.

  Lorenzi,H.,1992
    Arvores Brasileiras
    Editora Plantarum Ltda. 1 ed.

6.

  Ferri,M.G.,1969
    Plantas do Brasil - Especies do Cerrado

11.

  Matos, F.J.A.,1999
    UFC Edicoes
    Plantas da Medicina Popular do Nordeste
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Arvores e Arbustos do Brasil
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